Devocional Charles Spurgeon Dia e Noite
Leia o clássico devocional diário de Charles Spurgeon, com leituras inspiradoras para a manhã e a noite.
"Meditarei em Teus preceitos." — Salmos 119:15
Há momentos em que a solidão é melhor que a sociedade e o silêncio é mais sábio que a fala. Seríamos cristãos melhores se estivéssemos mais sozinhos, esperando em Deus e reunindo, através da meditação em Sua Palavra, força espiritual para trabalhar em Seu serviço. Devemos refletir sobre as coisas de Deus, porque assim obtemos delas o verdadeiro alimento. A verdade é algo como o cacho da videira: se quisermos obter vinho dele, devemos esmagá-lo; devemos pressioná-lo e apertá-lo muitas vezes. Os pés do agressor devem descer alegremente sobre os cachos, caso contrário o suco não fluirá; e devem pisar bem as uvas, caso contrário grande parte do precioso líquido será desperdiçada. Portanto, devemos, através da meditação, trilhar os aglomerados da verdade, se quisermos obter deles o vinho da consolação. Nossos corpos não são sustentados apenas por levar comida à boca, mas o processo que realmente supre os músculos, os nervos, os tendões e os ossos é o processo de digestão. É pela digestão que o alimento externo torna-se assimilado com a vida interior. Nossas almas não são nutridas apenas ouvindo um pouco isto, e depois aquilo, e depois a outra parte da verdade divina. Ouvir, ler, marcar e aprender, todos exigem digestão interior para completar sua utilidade, e a digestão interior da verdade reside, em grande parte, na meditação sobre ela. Por que é que alguns cristãos, embora ouçam muitos sermões, fazem apenas lentos avanços na vida divina? Porque negligenciam seus armários e não meditam cuidadosamente na Palavra de Deus. Amam o trigo, mas não o moem; eles teriam o milho, mas não sairão aos campos para colhê-lo; o fruto está pendurado na árvore, mas não o colhem; a água corre a seus pés, mas eles não se abaixam para bebê-la. De tal loucura, livra-nos, ó Senhor, e seja esta a nossa decisão nesta manhã: “Meditarei em Teus preceitos”.
— Charles Haddon Spurgeon (1834–1892) · Texto em domínio público