Devocional Charles Spurgeon Dia e Noite
Leia o clássico devocional diário de Charles Spurgeon, com leituras inspiradoras para a manhã e a noite.
"Elevemos o coração com as mãos a Deus que está nos céus." — Lamentações 3:41
O ato de orar nos ensina nossa indignidade, o que é uma lição muito salutar para seres tão orgulhosos como nós. Se Deus nos desse favores sem nos obrigar a orar por eles, nunca saberíamos quão pobres somos, mas uma verdadeira oração é um inventário de necessidades, um catálogo de necessidades, uma revelação de pobreza oculta. Embora seja uma aplicação à riqueza divina, é uma confissão do vazio humano. O estado mais saudável de um cristão é estar sempre vazio de si mesmo e depender constantemente do Senhor para obter suprimentos; ser sempre pobre de si mesmo e rico em Jesus; pessoalmente fraco como a água, mas poderoso em Deus para realizar grandes façanhas; e daí o uso da oração, porque, embora adore a Deus, coloca a criatura onde deveria estar, no próprio pó. A oração é em si, além da resposta que traz, um grande benefício para o cristão. Assim como o corredor ganha força para a corrida por meio do exercício diário, também para a grande corrida da vida adquirimos energia pelo sagrado trabalho da oração. Plumas de oração as asas dos jovens filhotes de Deus, para que aprendam a subir acima das nuvens. A oração cinge os lombos dos guerreiros de Deus e os envia ao combate com os nervos reforçados e os músculos firmes. Um defensor sincero sai de seu quarto, assim como o sol nasce das câmaras do leste, regozijando-se como um homem forte para correr sua corrida. A oração é aquela mão erguida de Moisés que derrota os amalequitas mais do que a espada de Josué; é a flecha disparada da câmara do profeta, pressagiando a derrota para os sírios. A oração cinge a fraqueza humana com a força divina, transforma a loucura humana em sabedoria celestial e dá aos mortais perturbados a paz de Deus. Não sabemos o que a oração não pode fazer! Damos-te graças, grande Deus, pelo propiciatório, uma prova escolhida da tua maravilhosa benignidade. Ajude-nos a usá-lo corretamente ao longo deste dia!
— Charles Haddon Spurgeon (1834–1892) · Texto em domínio público