Devocional Charles Spurgeon Dia e Noite
Leia o clássico devocional diário de Charles Spurgeon, com leituras inspiradoras para a manhã e a noite.
"Por que afligiste Teu servo?" — Números 11:11
Nosso Pai celestial nos envia problemas frequentes para testar nossa fé. Se a nossa fé valer alguma coisa, resistirá ao teste. A dourada tem medo do fogo, mas o ouro não: a gema pastosa teme ser tocada pelo diamante, mas a verdadeira joia não teme o teste. É uma fé pobre que só pode confiar em Deus quando os amigos são verdadeiros, o corpo cheio de saúde e o negócio lucrativo; mas essa é a verdadeira fé que se sustenta na fidelidade do Senhor quando os amigos se vão, quando o corpo está doente, quando o espírito está deprimido e a luz do semblante de nosso Pai está oculta. Uma fé que pode dizer, mesmo nas mais difíceis dificuldades: “Embora Ele me mate, confiarei Nele”, é a fé nascida do céu. O Senhor aflige Seus servos para glorificar a Si mesmo, pois Ele é grandemente glorificado nas graças de Seu povo, que são obra de Suas próprias mãos. Quando “a tribulação produz paciência; e a paciência, experiência; e a experiência, esperança”, o Senhor é honrado por essas virtudes crescentes. Nunca deveríamos saber o música da harpa se as cordas permanecessem intactas; nem desfrutarás do sumo da uva se não for pisado no lagar; nem descobriria o doce perfume da canela se não fosse prensada e batida; nem sentiria o calor do fogo se as brasas não fossem totalmente consumidas. A sabedoria e o poder do grande Obreiro são descobertos pelas provações pelas quais Seus vasos de misericórdia são autorizados a passar. As aflições atuais também tendem a aumentar a alegria futura. Deve haver sombras na imagem para realçar a beleza das luzes. Poderíamos ser tão abençoados no céu se não tivéssemos conhecido a maldição do pecado e a tristeza da terra? Não será a paz mais doce depois do conflito e o descanso mais bem-vindo depois do trabalho árduo? A lembrança dos sofrimentos passados não aumentará a felicidade dos glorificados? Existem muitas outras respostas confortáveis à pergunta com a qual iniciamos a nossa breve meditação; meditemos sobre ela durante todo o dia.
— Charles Haddon Spurgeon (1834–1892) · Texto em domínio público