Devocional Charles Spurgeon Dia e Noite
Leia o clássico devocional diário de Charles Spurgeon, com leituras inspiradoras para a manhã e a noite.
"À noite haverá luz." — Zacarias 14:7
Muitas vezes aguardamos com pressentimentos o tempo da velhice, esquecidos de que ao entardecer haverá luz. Para muitos santos, a velhice é a época mais escolhida em suas vidas. Um ar mais ameno sopra o rosto do marinheiro à medida que ele se aproxima da costa da imortalidade, menos ondas agitam seu mar, reina quieto, profundo, calmo e solene. Do altar da idade, as chamas do fogo da juventude desapareceram, mas a chama mais real do sentimento sincero permanece. Os peregrinos chegaram à terra de Beulah, aquele país feliz, cujos dias são como os dias do céu na terra. Anjos o visitam, ventos celestiais sopram sobre ele, flores do paraíso crescem nele e o ar se enche de música seráfica. Alguns moram aqui durante anos, e outros chegam apenas algumas horas antes de sua partida, mas é um Éden na terra. Podemos muito bem ansiar pelo momento em que reclinaremos em seus bosques sombrios e ficaremos satisfeitos com a esperança até que chegue o momento da fruição. O sol poente parece maior do que quando está no céu, e um esplendor de glória tinge todas as nuvens que cercam sua queda. A dor não quebra a calma do doce crepúsculo da idade, pois a força aperfeiçoada na fraqueza suporta tudo com paciência. Os frutos maduros da experiência escolhida são colhidos como a rara refeição da noite da vida, e a alma se prepara para o descanso.
O povo do Senhor também desfrutará de luz na hora da morte. A incredulidade lamenta; as sombras caem, a noite está chegando, a existência está acabando. Ah, não, clama a fé, a noite já passou, o verdadeiro dia está próximo. Chegou a luz, a luz da imortalidade, a luz do semblante de um Pai. Junte os pés na cama, veja os bandos de espíritos à espera! Anjos te levam embora. Adeus, amado, você se foi, você acena com a mão. Ah, agora está claro. Os portões perolados estão abertos, as ruas douradas brilham à luz do jaspe. Cobrimos nossos olhos, mas você vê o invisível; adeus, irmão, você tem luz na maré noturna, como nós ainda não temos.
— Charles Haddon Spurgeon (1834–1892) · Texto em domínio público