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Devocional Charles Spurgeon Dia e Noite

Leia o clássico devocional diário de Charles Spurgeon, com leituras inspiradoras para a manhã e a noite.

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"Sua fruta era doce ao meu gosto." — Cântico dos Cânticos 2:3

A fé, nas Escrituras, é mencionada sob o emblema de todos os sentidos. É a visão: “Olhai para mim e sereis salvos”. É ouvir: “Ouça, e sua alma viverá”. A fé cheira: “Todas as tuas vestes cheiram a mirra, e aloés, e cássia”; "teu nome é como unguento derramado." Fé é toque espiritual. Através desta fé a mulher veio para trás e tocou a orla das vestes de Cristo, e através disto lidamos com as coisas da boa palavra da vida. A fé é igualmente o gosto do espírito. "Quão doces são as Tuas palavras ao meu paladar! sim, mais doces que o mel aos meus lábios." “A menos que alguém coma minha carne”, disse Cristo, “e beba meu sangue, não há vida nele”.

Esse “gosto” é a fé em uma de suas operações mais elevadas. Uma das primeiras manifestações da fé é ouvir. Ouvimos a voz de Deus, não apenas com o ouvido externo, mas com o ouvido interno; nós a ouvimos como a Palavra de Deus e acreditamos que seja assim; essa é a “audição” da fé. Então nossa mente contempla a verdade tal como ela nos é apresentada; isto é, nós o compreendemos, percebemos o seu significado; essa é a “visão” da fé. A seguir descobrimos a sua preciosidade; começamos a admirá-lo e descobrimos como ele é perfumado; isso é fé em seu “cheiro”. Então nos apropriamos das misericórdias que estão preparadas para nós em Cristo; isso é fé em seu “toque”. Daí seguem os prazeres, a paz, o deleite, a comunhão; que são a fé em seu “sabor”. Qualquer um desses atos de fé é salvador. Ouvir a voz de Cristo como a voz segura de Deus na alma nos salvará; mas o que proporciona o verdadeiro prazer é o aspecto da fé na qual Cristo, pelo gosto santo, é recebido em nós e feito, pela apreensão interior e espiritual de Sua doçura e preciosidade, para ser o alimento de nossas almas. É então que nos sentamos “sob Sua sombra com grande deleite” e descobrimos que Seu fruto é doce ao nosso paladar.

— Charles Haddon Spurgeon (1834–1892) · Texto em domínio público