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Devocional Charles Spurgeon Dia e Noite

Leia o clássico devocional diário de Charles Spurgeon, com leituras inspiradoras para a manhã e a noite.

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"Suas bochechas são como um canteiro de especiarias, como flores doces." — Cântico dos Cânticos 5:13

Eis que chegou o mês florido! Os ventos de março e as chuvas de abril fizeram seu trabalho, e a terra está toda enfeitada de beleza. Venha minha alma, vista seu traje festivo e saia para colher guirlandas de pensamentos celestiais. Tu sabes para onde ir, pois para ti “os canteiros de especiarias” são bem conhecidos, e tantas vezes cheiraste o perfume das “doces flores”, que irás imediatamente ao teu bem-amado e encontrarás toda a beleza, toda a alegria Nele. Aquela bochecha que já foi tão rudemente ferida com uma vara, muitas vezes banhada em lágrimas de simpatia e depois contaminada com saliva - aquela bochecha, ao sorrir com misericórdia, é tão perfumada e aromática para meu coração. Tu não escondeste Teu rosto da vergonha e das cuspidas, ó Senhor Jesus, e portanto encontrarei meu maior prazer em Te louvar. Aquelas bochechas estavam sulcadas pelo arado da dor e vermelhas com linhas vermelhas de sangue de Tuas têmporas coroadas de espinhos; tais marcas de amor ilimitado não podem deixar de encantar minha alma muito mais do que "pilares de perfume." Se eu não pudesse ver todo o Seu rosto, eu contemplaria Suas bochechas, pois o menor vislumbre Dele é extremamente revigorante para o meu sentido espiritual e produz uma variedade de deleites. Em Jesus encontro não apenas fragrância, mas um leito de especiarias; não uma flor, mas todos os tipos de flores doces. Ele é para mim minha rosa e meu lírio, meu conforto e meu cacho de canfira. Quando Ele está comigo, é maio o ano todo, e minha alma sai para lavar seu rosto feliz no orvalho da manhã de Sua graça e para se consolar com o canto dos pássaros de Suas promessas. Precioso Senhor Jesus, permite-me conhecer de fato a bem-aventurança que reside na comunhão permanente e ininterrupta contigo. Sou um pobre inútil, cuja face te dignaste beijar! Ó, deixe-me beijar-Te em troca com os beijos dos meus lábios.

— Charles Haddon Spurgeon (1834–1892) · Texto em domínio público