Devocional Charles Spurgeon Dia e Noite
Leia o clássico devocional diário de Charles Spurgeon, com leituras inspiradoras para a manhã e a noite.
"Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?" — Salmos 22:1
Nós aqui contemplamos o Salvador na profundidade de Suas tristezas. Nenhum outro lugar mostra tão bem as tristezas de Cristo como o Calvário, e nenhum outro momento no Calvário é tão cheio de agonia como aquele em que Seu grito rasga o ar: "Meu Deus, meu Deus, por que me desamparaste?" Neste momento a fraqueza física uniu-se à aguda tortura mental da vergonha e ignomínia pela qual Ele teve que passar; e para fazer culminar com ênfase Sua dor, Ele sofreu uma agonia espiritual que supera toda expressão, resultante da saída da presença de Seu Pai. Esta foi a meia-noite negra do Seu horror; foi então que Ele desceu ao abismo do sofrimento. Nenhum homem pode compreender o significado completo dessas palavras. Alguns de nós às vezes pensamos que poderíamos clamar: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?” Há épocas em que o brilho do sorriso de nosso Pai é eclipsado pelas nuvens e pelas trevas; mas lembremo-nos de que Deus nunca nos abandona realmente. É apenas um aparente abandono para nós, mas no caso de Cristo foi um verdadeiro abandono. Lamentamos uma pequena retirada do amor de nosso Pai; mas o verdadeiro afastamento da face de Deus de Seu Filho, quem calculará quão profunda é a agonia que isso lhe causou?
No nosso caso, o nosso clamor é muitas vezes ditado pela incredulidade: no caso dele, foi a declaração de um facto terrível, pois Deus realmente se afastou dEle por um período. Ó tu, pobre alma angustiada, que uma vez viveu sob o sol da face de Deus, mas agora está nas trevas, lembre-se de que Ele realmente não te abandonou. Deus nas nuvens é tanto nosso Deus quanto quando Ele brilha com todo o brilho de Sua graça; mas visto que até mesmo o pensamento de que Ele nos abandonou nos causa agonia, qual deve ter sido a desgraça do Salvador quando Ele exclamou: "Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?"
— Charles Haddon Spurgeon (1834–1892) · Texto em domínio público