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Devocional Charles Spurgeon Dia e Noite

Leia o clássico devocional diário de Charles Spurgeon, com leituras inspiradoras para a manhã e a noite.

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"O lugar que se chama Calvário." — Lucas 23:33

A colina do conforto é a colina do Calvário; a casa da consolação se constrói com o madeiro da cruz; o templo da bênção celestial está fundado sobre a rocha fendida pela lança que perfurou Seu lado. Nenhuma cena na história sagrada alegra a alma como a tragédia do Calvário.

"Não é estranho, a hora mais sombria Que já amanheceu na terra pecaminosa, Deveria tocar o coração com um poder mais suave, Para conforto, do que para a alegria de um anjo? Que para a Cruz o olhar do enlutado se volte, Mais cedo do que onde queimam as estrelas de Belém?"

A luz brota do meio-dia à meia-noite do Gólgota, e cada erva do campo floresce docemente sob a sombra da árvore outrora amaldiçoada. Naquele lugar de sede, a graça cavou uma fonte que sempre jorra águas puras como cristal, cada gota capaz de aliviar as desgraças da humanidade. Você que passou por períodos de conflito, confessará que não foi no Monte das Oliveiras que você encontrou conforto, nem na colina do Sinai, nem no Tabor; mas o Getsêmani, o Gábatá e o Gólgota têm sido um meio de conforto para você. As ervas amargas do Getsêmani muitas vezes tiraram o amargor da sua vida; o flagelo de Gabbatha muitas vezes afugentou suas preocupações, e os gemidos do Calvário nos proporcionam um conforto raro e rico. Nunca teríamos conhecido o amor de Cristo em todas as suas alturas e profundezas se Ele não tivesse morrido; nem poderíamos adivinhar o profundo afeto do Pai se Ele não tivesse dado Seu Filho para morrer. Todas as misericórdias comuns de que desfrutamos cantam o amor, assim como a concha do mar, quando a colocamos em nossos ouvidos, sussurra sobre o mar profundo de onde veio; mas se desejamos ouvir o próprio oceano, não devemos olhar para as bênçãos diárias, mas para as transações da crucificação. Aquele que deseja conhecer o amor, retire-se para o Calvário e veja morrer o Homem das dores.

— Charles Haddon Spurgeon (1834–1892) · Texto em domínio público