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Devocional Charles Spurgeon Dia e Noite

Leia o clássico devocional diário de Charles Spurgeon, com leituras inspiradoras para a manhã e a noite.

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"Trais o Filho do Homem com um beijo?" — Lucas 22:48

Os beijos de um inimigo são enganosos. Deixe-me ficar atento quando o mundo colocar uma face amorosa, pois ele irá, se possível, me trair como fez com meu Mestre, com um beijo. Sempre que um homem está prestes a esfaquear a religião, ele geralmente professa uma grande reverência por ela. Deixe-me tomar cuidado com a hipocrisia de rosto elegante que é a armadura da heresia e da infidelidade. Conhecendo o engano da injustiça, deixe-me ser sábio como uma serpente para detectar e evitar os desígnios do inimigo. O jovem, sem compreensão, foi desencaminhado pelo beijo da mulher estranha: que minha alma seja tão graciosamente instruída durante todo este dia, que "a fala muito bela" do mundo possa não ter nenhum efeito sobre mim. Espírito Santo, não deixes que eu, pobre e frágil filho do homem, seja traído com um beijo!

Mas e se eu fosse culpado do mesmo maldito pecado de Judas, aquele filho da perdição? Fui batizado em nome do Senhor Jesus; Sou membro de Sua Igreja visível; Sento-me à mesa da comunhão: são tantos beijos dos meus lábios. Sou sincero neles? Se não, sou um traidor básico. Vivo no mundo tão descuidadamente quanto os outros, e ainda assim faço profissão de ser um seguidor de Jesus? Então devo expor a religião ao ridículo e levar os homens a falarem mal do santo nome pelo qual sou chamado. Certamente, se eu agir assim de forma inconsistente, serei um Judas, e seria melhor para mim nunca ter nascido. Atrevo-me a esperar ser claro neste assunto? Então, ó Senhor, mantenha-me assim. Ó Senhor, faça-me sincero e verdadeiro. Preserva-me de todo caminho falso. Nunca me deixe trair meu Salvador. Eu Te amo, Jesus, e embora muitas vezes Te entristeça, ainda assim desejo permanecer fiel até a morte. Ó Deus, não permita que eu seja um professor altivo e depois caia finalmente no lago de fogo, porque traiu meu Mestre com um beijo.

— Charles Haddon Spurgeon (1834–1892) · Texto em domínio público