Devocional Charles Spurgeon Dia e Noite
Leia o clássico devocional diário de Charles Spurgeon, com leituras inspiradoras para a manhã e a noite.
"Desperta, ó vento norte; e vem, sul; sopra no meu jardim, para que as suas especiarias possam fluir." — Cântico dos Cânticos 4:16
Qualquer coisa é melhor do que a calma mortal da indiferença. Nossas almas podem desejar sabiamente o vento norte da angústia, se somente ele puder ser santificado para extrair o perfume de nossas graças. Enquanto não puder ser dito: “O Senhor não estava no vento”, não recuaremos diante da rajada mais invernal que já soprou sobre as plantas da graça. A esposa neste versículo não se submeteu humildemente às reprovações de seu Amado; apenas suplicando-Lhe que envie Sua graça de alguma forma, e não fazendo nenhuma estipulação quanto à maneira peculiar como ela deveria vir? Ela não ficou, como nós, tão cansada da morte e da calma profana que suspirou por qualquer visita que a preparasse para a ação? No entanto, ela deseja também o quente vento sul do conforto, os sorrisos do amor divino, a alegria da presença do Redentor; muitas vezes são extremamente eficazes para despertar nossa vida preguiçosa. Ela deseja um ou outro, ou ambos; para que ela possa apenas deliciar seu Amado com as especiarias do jardim dela. Ela não pode suportar ser inútil, nem nós. Como é animador pensar que Jesus pode encontrar conforto em nossas pobres e débeis graças. Pode ser? Parece bom demais para ser verdade. Bem, podemos cortejar o julgamento ou até mesmo a própria morte, se assim formos ajudados a alegrar o coração de Emanuel. Ó, se nosso coração fosse reduzido a átomos, se apenas por meio de tais contusões nosso doce Senhor Jesus pudesse ser glorificado. As graças não exercidas são como doces perfumes adormecidos nas taças das flores: a sabedoria do grande Lavrador anula causas diversas e opostas para produzir o resultado desejado, e faz com que tanto a aflição quanto o consolo exalem os odores agradecidos da fé, do amor, da paciência, da esperança, da resignação, da alegria e das outras belas flores do jardim. Que possamos saber, por doce experiência, o que isso significa.
— Charles Haddon Spurgeon (1834–1892) · Texto em domínio público